Entrevista - Reo Wilde


Ande com os bons será um deles, ande com os ruins será pior do que eles. Esta frase serve para vários momentos de nossa vida. Trazendo-a para nossa realidade no esporte, devemos sempre mirar os melhores. E, neste momento, sem dúvida o maior expoente mundial do Arco e Flecha, seja na categoria Arco Composto ou Arco Recurvo, é o norte-americano Reo Wilde. Impressionantes suas conquistas e o domínio que vem tendo na categoria Composto Masculino nos últimos anos.

Inaugurando uma nova série aqui no blog, nada melhor do que o primeiro bate-papo ser exatamente com esse grande campeão. Em uma conversa por e-mail com Reo, fiz uma série de perguntas a ele sobre diversos temas. Segue abaixo um pouco dessa conversa, com inúmeras lições a aprender com esse grande arqueiro.

Marcelo Roriz: Há quanto tempo você atira? E quantas horas treina por dia?

Reo Wilde: Atiro há 20 anos e, atualmente, treino entre três ou mais horas diariamente.

MR: O que você pensa sobre o poder mental no Arco e Flecha?

RW: Arco e Flecha é 90% mental. Este poder é o principal componente em nosso esporte.

MR: Como você dividiria percentualmente a relação entre as partes técnica, física e mental no Arco e Flecha?

RW: Colocar um número exato é difícil. Você sempre tem que estar com sua mente focada no seu tiro e no que você está fazendo. Reforço que acredito que a parte mental seja 90% do esporte. O restante fica com a força e a repetição de movimentos.

MR: O que você nos diz sobre os arcos, eles são melhores do que os arqueiros? Os arqueiros dão um valor muito alto a regulagem do equipamento se esquecendo da parte técnica?

RW: A maioria do arcos é bem melhor do que seus donos. Acho que muitos arqueiros culpam muito seus equipamentos e na maioria das vezes a culpa é do arqueiro. Eu não deixo que minha mente se volte aos problemas do arco, primeiro porque geralmente não existem e, segundo, que este não deve ser o seu foco mental.

MR: O arco composto em todo o mundo sofre o estigma de não ser uma categoria olímpica. Por outro lado, nos Estados Unidos, o arco composto vem tendo um forte crescimento. Quais as razões para isso?

RW: Realmente temos esse estigma do composto não ser olímpico. O composto vem crescendo não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. E, se tivéssemos, um pouco mais de investimento, acredito que poderíamos nos equiparar ou até ser maior do que o recurvo.

MR: Como é a relação e o suporte da Confederação Americana de Tiro com Arco para com o Arco composto?

RW: Eles fazem muito pelo composto e isso vem melhorando cada vez mais. Mas, por ainda não sermos uma categoria olímpica, ainda há limitações na atuação deles.

MR: Conte nos um pouco sobre a sensação de vencer um Campeonato Mundial (Coreia do Sul – 2009), realizando o mesmo feito que seu pai atingiu anos atrás?

RW: Foi incrível vencer e seguir os passos de meu pai.

MR: E sobre o novo sistema de competições no composto, somente 50 metros, você gosta?

RW: 50 metros me parece legal. Eu tenho saudades de competir a 70 metros. Mas creio que se voltarmos para os 70, também ficarei com saudade dos 50. Não tenho uma distância favorita, ambas são legais.

MR: Fale um pouco para os brasileiros sobre seus patrocínios.

RW: Eu tenho alguns patrocinadores como Hoyt (arcos), Easton (flechas), Tru-Ball (gatilhos), Axcell (miras), Lancaster Archery (vários suprimentos), First Strings (cordas), Fuse (estabilizadores) e mais alguns outros. O suporte deles é imprescindível.

MR: Sempre vemos seus posts sobre suas filhas. Como é o relacionamento com a sua família para uma pessoa que viaja tanto e passa tanto tempo fora de casa?

RW: Tenho uma relação excelente com minha família. Passo sempre meu tempo em casa fazendo inúmeras coisas para aproveitá-los ao máximo enquanto estamos próximos.

MR: Fale nos um pouco sobre um momento especial no Arco e Flecha.

RW: A coisa mais fantástica que vivi no esporte foi vencer a final da Copa do Mundo tendo minha esposa ao lado naquele momento.

MR: Existe uma expressão que gosto muito: “A flecha não sabe quantos metros ela tem que voar”. Fale nos um pouco sobre isso.

RW: Você tem que se focar na sua forma e colocar a flecha exatamente onde ela deve ir.

Tive a honra de dividir por duas vezes o alvo com esse fenomenal arqueiro. Durante uma etapa da Copa do Mundo na Turquia, onde ele fez no duplo 50 metros – 1 série de 58 pontos, 10 x 59 pontos e 1 x 60 pontos e classificou-se com (353 / 355 pontos).

Em outra oportunidade, combati contra ele no Campeonato Mundial Itália 2011, perdi para ele na 3a-fase. Neste combate, um fato que demonstra a capacidade de concentração deste fenômeno. Durante o aquecimento, ele se deu conta que tinha perdido a mochila e dentro dela estava o passaporte. Ele falava com seu técnico, Mel Nichols, sobre o ocorrido e o treinador respondeu:

- Vai lá atirar, você veio aqui para isso.

Como se uma chave virasse dentro de sua cabeça, ele esqueceu o ocorrido, e simplesmente fez o que sabia e com um 149 de 150 pontos possíveis me venceu.

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