38º Campeonato Brasileiro 2012 – Recife


Ousadia tamanha merece ser recompensada. Fazer um Campeonato Brasileiro na praia realmente é para poucos. A Federação Pernambucana de Tiro com Arco está de parabéns pelo belo trabalho realizado. Uma infraestrutura jamais vista no Brasil e que, sem dúvida, servirá de referência e desafio às futuras cidades que sediarão os próximos eventos. A iniciativa em Recife aproxima o arco do público, gera mídia e visibilidade ao esporte, atraindo novos adeptos e, especialmente, apoios e patrocínios. Tiveram ainda o dever maior de realizar três campeonatos consecutivamente – Master, Paralímpico e Adulto. Trabalho e dedicação realmente não faltaram para fazerem um evento maravilhoso e inesquecível.

Desejaria muito ver o Brasil antenado aos principais eventos mundiais em relação à programação de competição. A realização de Round FITA estende a duração da prova, dificulta a escolha de campos, aumenta os custos da organização e acaba avaliando e ranqueando os arqueiros da mesma maneira que o Duplo 70 m ou Duplo 50 m. Ao fazer o FITA se perde um período de competição, onde, por exemplo, se poderia fazer a disputa de Rounds Mistos ou as primeiras eliminatórias por equipes, para que se tenha um maior tempo para a realização das finais. Triste ver o pouco prestígio que as finais tem perante os envolvidos no esporte. Sempre repito, enquanto não tivermos a tecnologia trabalhando para a realização de eventos atrativos ao público, teremos nosso esporte pouco prestigiado e com baixa visibilidade em mídia. E, assim como nos grandes eventos mundiais, só existe um caminho para isso, investimento em tecnologias de transmissão e contagem de pontos para tornar o esporte mais atrativo aos espectadores.

Sobre o lado técnico, a prova foi um desafio aos atletas, não só pelos ventos que sopravam do mar, mas, especialmente, pelo forte calor durante os dias de prova. Tudo isso foram ingredientes que deixaram ainda mais desafiadora a competição. Em termos de pontuações, nenhum recorde brasileiro quebrado, como já se esperava, mas cabe ressaltar a incrível marca estabelecida por Roberval dos Santos (Tico), no segundo round de 50 metros, com 356 pontos. Apenas 1 ponto abaixo do recorde brasileiro que é dele próprio e há 2 pontos do recorde mundial, que pertence ao holandês Peter Elzinga.

Ainda fica aquela sensação estranha de dois campeonatos que acontece em um só: Campeonato Brasileiro e Copa Brasil. Não só por eu ter ganhado no Composto, mas por uma questão de princípio valorizo somente os combates. Logicamente que um bom round qualificatório é importante, mas não passa disso. O que vale são os combates, mata-mata, nervosismo, flechas decisivas, mínima chance de erro, pressão... é isso que traz emoção ao esporte e é por isso que os arqueiros brasileiros devem pedir aos ilustres presidentes de federações que modifiquem e atualizem essa regra arcaica. E na hora da competição, vem sempre a história de que isso deve ser decidido em Assembleia. Nem de política é bom falar, mas esse e vários outros assuntos ainda ficam na mão de alguns poucos que não fazem nada para não modernizar a gestão e o desenvolvimento do esporte no país.

Categoria por categoria, o resumo é o seguinte:

- Recurvo feminino – necessidade urgente de novos talentos. Sei do esforço de várias meninas na tentativa de melhora, mas ainda é muito pouco. Num Brasileiro, apenas duas atletas acima de 1.200 pontos ainda é uma situação lamentável. Parabéns à Sarah Nikitin por mais um título em sua extensa coleção de Campeonatos Brasileiros.

- Recurvo Masculino – a nova geração chegou de vez. Uma final de alto nível entre Bernardo Oliveira e Edson Kim, decidida somente na flecha de morte. E o terceiro lugar do grande Leonardo Carvalho, que já nos deu grandes alegrias e parece estar voltando bem. Estamos há menos de quatro anos das Olimpíadas, há um grande número de bons arqueiros, mas que agora precisam ser melhor lapidados e preparados para combaterem forte, porque Jogos Olímpicos é assim.

- Composto Feminino – pela primeira vez na história com três equipes em um Brasileiro, que é um fato a ser comemorado. Novas caras aparecendo! Emocionante final entre Marina Lemos e Elizabeth Shimizu (137 / 137), decidido na flecha de morte. Gostaria de ver essa linha ainda mais cheia, principalmente de novos talentos, que muito tem a aprender com grandes arqueiras que ainda estão em atividade e muito tem a ensinar.

- Composto Masculino – a volta de Tico é a grande notícia. Como é bom dividir a linha de tiro com o maior arqueiro brasileiro, juntamente com o grande Renato Emílio. Excelente prova de Fábio Tassinari que mostrou que sua evolução no último ano realmente já é um fato. Fiquei extremamente feliz com minha vitória na emocionante final contra o meu ídolo Robeval dos Santos. Quando iniciei no esporte, jamais imaginava brigar ponto a ponto com ele. Hoje temos uma disputa saudável, que tenho certeza, ainda nos levará a grandes conquistas internacionais. Ano que vem promete!

Fica a saudade até o Brasileiro de 2013! Parabéns Recife! Parabéns ao povo pernambucano pela hospitalidade e carinho com que receberam os arqueiros de todo o Brasil! Vitória ao Arco e Flecha!

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